Tuesday, September 12, 2006

História de uma vida amorosa 2

A E. foi mais uma daquelas paixões de escola. Nem sequer amor, em boa verdade. Paixão, pura e simples. Loura, caso raro nas minhas fantasias desde então (o que levanta a questao de algum trauma existente desde esses tempos, uma vez que a R. também o era), elegante e das poucas raparigas que nesse longínquo primeiro ano do ciclo já apresentava um peito saliente o suficiente para começar a magnetizar olhos, mesmo que ainda não soubéssemos a razão (a bem dizer, ainda hoje não faço ideia do porquê da atracção mamária no imaginário masculino, mas isso será assunto para outras calendas, desde que não gregas), um sorriso que convidava a algo que eu não sabia o que seria e uma desenvoltura fantástica no corpo (por outras palavras, sensual até à medula, mesmo que, lá está, eu não o soubesse). A atracção terá durado um período provavelmente longo para a altura: não menos que duas semanas. Cheguei mesmo a perguntar-lhe se não quereria namorar comigo. Ela, provando a sageza que já possuía, provando ainda que as raparigas eram muito mais maduras que os rapazes por aquela idade (em todas, eu diria, mas não sou maduro o suficiente para analisar a questão) e provando ainda a capacidade inata feminina para as declarações criativas (leia-se mentira), disse-me que tinha muita pena mas que já tinha namorado. Obviamente que quando confirmei aquilo que me veio à cabeça cerca de meia hora mais tarde (ou seja, vinte e nove minutos e cinquenta e nove segundos demasiado tarde), que ela me tinha comido por parvo (admito que não tenha pensado em mim mesmo nesses termos, eu era muito menos auto-confiante nesses tempos), uns quinze dias mais tarde, a vontade tinha-se evaporado. Vontade de quê?, pergunto-me eu hoje. Sei lá, de a beijar desastradamente a ponto de a deixar incomodada comigo o suficiente para acabar comigo e me proporcionar um bom mês de depressão inconfortável que me convenceria que eu não amaria mais nenhuma mulher na vida até conhecer a seguinte. Talvez tenha sido vontade de lhe apreciar a beleza. Ou de gozar com os outros colegas de turma para demonstrar que era eu o gajo que a tinha apanhado. Ou se calhar só lhe queria apalpar as mamas. Sinceramente não faço ideia. Não interessa, a E. entrou para a minha galeria de amores não cumpridos (uma galeria muito mais extensa na adolescência que a outra) e fica para sempre na minha memória (ainda que eu não a reconhecesse se ela me entrasse hoje nua na banheira - não que me fizesse diferença, provavelmente, mas enfim, é o que se diz nestes casos). E ocupou-me a mente até chegar a C. mas essa história fica para outro dia.

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