Wednesday, September 20, 2006

Nice to meet you

Há conversas que fluem, há conversas que não fluem. É tão simples como isto. E, nestes casos, os primeiros 3 minutos são essenciais.

Conheci-o há duas semanas numa discoteca. Seria mais fácil dizer que não sei porque lhe dei o número de telefone. Mas o problema é que sei. Dei-lho por puro tédio, não que não me estivesse a divertir, mas porque ultimamente ando farta de estar sempre sozinha. Faz 6 anos que estou sozinha. Não contam as relações que vou tendo aqui e ali, porque acabo por me sentir sempre sozinha, eram relações condenadas à partida, mesmo antes de eu perceber porquê. Nessa noite, nesse momento, enquanto dançava os meus All Time Favourites, percebi que queria entrar numa nova fase, percebi que já estava receptiva, que já podia dar um pouco de mim a outra pessoa, e foi quando o M. me pediu o número de telefone.
Ao princípio recusei. Disse-lhe que só queria dançar. Mas ele foi tão simpático por não insistir que acabei por ser eu a insistir.

Duas semanas depois encontrámo-nos. Não estava segura de o reconhecer. Lembro-me que só lhe perguntei o nome quando me telefonou (à segunda vez, porque à primeira não lhe atendi o telefone) e só sabia que usava uma camisa às riscas azuis na noite em que nos conhecemos.
Reconheci-o. Mas ele não me reconheceu. Passou por mim duas vezes sem me ver e eu deixei-o passar sem lhe dizer nada. Talvez tivesse sido melhor ter-me ido logo embora, mas a noite ainda era uma criança.

Fomos para um bar um pouco chique demais para o meu gosto, mas não lhe disse nada. Sincera demais já fui eu quando lhe perguntei se podíamos ser só amigos, pelo menos ao princípio. Não gosto de coisas à pressa. Vê-se como bebo a cerveja tão calmamente. Mas ontem bebi-a mais depressa do que o costume. E disse-lhe que, quando acabasse a cerveja dele, gostaria de me ir embora. A modos de brincadeira, pousou o copo e fingiu que não a ia beber logo, para poder ficar mais um pouco comigo. Mas, ao olhar para mim e ver que estava a falar a sério, pegou no copo e bebeu o líquido de um trago, como se tivesse sido acomedido por uma sede imensa.

Mesmo assim, levou-me ao metro, por um cavalheirismo desmedido que lhe podia ter ficado mal. Pediu-me desculpas pela brandura da conversa, mas que isto de sair durante a semana tem os seus quês. Eu acenei-lhe que não se preocupasse, realmente terças-feiras não são um bom dia para se conhecer melhor alguém. É claro que foi uma desculpa. O que eu lhe queria realmente dizer é que não era para ser ele ali sentado. Mas não lhe disse isso. De qualquer maneira duvido que me volte a telefonar. Eu, pelo menos, não o vou fazer.

Sunday, September 17, 2006

Pergunta retórica

Engata-se porque se vai à discoteca ou vai-se à discoteca porque se quer engatar?
E a música, não interessa para nada??

Tuesday, September 12, 2006

História de uma vida amorosa 2

A E. foi mais uma daquelas paixões de escola. Nem sequer amor, em boa verdade. Paixão, pura e simples. Loura, caso raro nas minhas fantasias desde então (o que levanta a questao de algum trauma existente desde esses tempos, uma vez que a R. também o era), elegante e das poucas raparigas que nesse longínquo primeiro ano do ciclo já apresentava um peito saliente o suficiente para começar a magnetizar olhos, mesmo que ainda não soubéssemos a razão (a bem dizer, ainda hoje não faço ideia do porquê da atracção mamária no imaginário masculino, mas isso será assunto para outras calendas, desde que não gregas), um sorriso que convidava a algo que eu não sabia o que seria e uma desenvoltura fantástica no corpo (por outras palavras, sensual até à medula, mesmo que, lá está, eu não o soubesse). A atracção terá durado um período provavelmente longo para a altura: não menos que duas semanas. Cheguei mesmo a perguntar-lhe se não quereria namorar comigo. Ela, provando a sageza que já possuía, provando ainda que as raparigas eram muito mais maduras que os rapazes por aquela idade (em todas, eu diria, mas não sou maduro o suficiente para analisar a questão) e provando ainda a capacidade inata feminina para as declarações criativas (leia-se mentira), disse-me que tinha muita pena mas que já tinha namorado. Obviamente que quando confirmei aquilo que me veio à cabeça cerca de meia hora mais tarde (ou seja, vinte e nove minutos e cinquenta e nove segundos demasiado tarde), que ela me tinha comido por parvo (admito que não tenha pensado em mim mesmo nesses termos, eu era muito menos auto-confiante nesses tempos), uns quinze dias mais tarde, a vontade tinha-se evaporado. Vontade de quê?, pergunto-me eu hoje. Sei lá, de a beijar desastradamente a ponto de a deixar incomodada comigo o suficiente para acabar comigo e me proporcionar um bom mês de depressão inconfortável que me convenceria que eu não amaria mais nenhuma mulher na vida até conhecer a seguinte. Talvez tenha sido vontade de lhe apreciar a beleza. Ou de gozar com os outros colegas de turma para demonstrar que era eu o gajo que a tinha apanhado. Ou se calhar só lhe queria apalpar as mamas. Sinceramente não faço ideia. Não interessa, a E. entrou para a minha galeria de amores não cumpridos (uma galeria muito mais extensa na adolescência que a outra) e fica para sempre na minha memória (ainda que eu não a reconhecesse se ela me entrasse hoje nua na banheira - não que me fizesse diferença, provavelmente, mas enfim, é o que se diz nestes casos). E ocupou-me a mente até chegar a C. mas essa história fica para outro dia.

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