Friday, July 07, 2006

O tipo romântico

O pior momento de um encontro romântico, geralmente o primeiro, é quando se começa a falar de música. Das bandas que se ouvem, dos concertos a que se foi ultimamente, daquela canção do anúncio tal que não se suporta. Nem sempre os gostos coincidem. Geralmente a outra pessoa nem sequer conhece a nossa banda preferida. Mas isso nem é o mais grave. O pior mesmo é quando a pessoa nos diz orgulhosa que possui todos os álbuns dos Bon Jovi. A gente engasga-se ou cospe o café para o lado, dependendo do grau de aversão, ou então começa-se a rir como quem diz, estás a gozar comigo. A pessoa lá diz que não está a gozar e até se põe a elogiar o vocalista, citando um artigo qualquer que leu numa revista americana em que o dito cujo tinha sido eleito pelos leitores (pelas leitoras menores de idade, acrescentamos nós em pensamento) como o cantor mais sexy da nação.
Ora o facto de o rapaz com quem saimos, e com quem há cinco minutos atrás queríamos ir para a cama, venerar uma banda que nós ouvíamos quando tínhamos 13 anos não deixa de ser preocupante.

Quando isto acontece, há três opções:
1. Cuspimos-lhe o resto do café para a cara e vamo-nos embora, atirando-lhe uma moeda para a mesa como esmola por tão visível pobreza de espírito;
2. A vontade de mandar uma fala mais alto do que qualquer divergência de opinião e por isso deixamo-nos ficar, mudando rapidamente de assunto. Uma boa queca nunca deve ser subestimada, mesmo que não se volte a repetir;
3. O amor é cego e pensamos poder vir a transformá-lo numa pessoa musicalmente culta e amadurecida.

Nós aqui escolhemos a quarta opção:
4. Olhamos para ele com tanto desprezo até que ele percebe e se sente mal, inventamos um compromisso de última hora (mas tem de ser mesmo bom, porque às duas da manhã não se costuma ter muita coisa para fazer) e fugimos a tempo de evitar a situação embaraçosa de, durante o sexo, o rapaz se lembrar de ir pôr o Always, alegando um romantismo desnecessário. No telemóvel alteramos o nome da criatura para “Possível queca com péssimo gosto musical” e só lhe atendemos as chamadas quando o desespero for mais forte do que a sensatez. Isto acaba por nunca acontecer, mas uma mulher prevenida vale por duas.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home

eXTReMe Tracker